Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Até que os Sentidos Transbordem

Poesia não são palavras que rimam, são palavras que sentem.

Poesia não são palavras que rimam, são palavras que sentem.

Até que os Sentidos Transbordem

02
Mai17

Aconteceu-me

Eu vinha de comprar fósforos

e uns olhos de mulher feita

olhos de menos idade que a sua

não deixavam acender-me o cigarro.

Eu era eureka para aqueles olhos.

Entre mim e ela passava gente como senão passase

e ela não podia ficar parada

nem eu vê-la sumir-se.

Retive a sua silhueta

para não perder-me daqueles olhos que me levavam espetado.

e eu tenho visto olhos!

mas nenhuns que me vissem

nenhuns para quem eu fosse um achado existir

para quem eu lhes acertasse lá na sua ideia

olhos como agulhas de despertar

como íman de atrair-me vivo

olhos para mim!

Quando havia mais luz

a luz tornava-me quasi real o seu corpo

e apagavam-se-me os seus olhos

o mistério suspenso por um cabelo

pelo hábito deste real injusto

tinha de pôr mais distância entre ela e mim

para acender outra vez aqueles olhos

que talvez não fossem como eu os vi

e ainda que o não fossem, que importa?

vi o mistério!

Obrigado a ti mulher que não conheço.



José de Almada Negreiros

7 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D