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Até que os Sentidos Transbordem

Poesia não são palavras que rimam, são palavras que sentem.

Poesia não são palavras que rimam, são palavras que sentem.

Até que os Sentidos Transbordem

28
Jul18

O Mundo Inteiro

O mundo inteiro. Todo! É meu. Mesmo sem ser meu.
Vive dentro deste corpo escanzelado o mundo inteiro,
O nosso mundo invicto: O único. O real. O verdadeiro.
Aquele que nunca ninguém viu, e nunca ninguém leu.

Nos mares do meu sangue nadam peixes prateados,
Navegam barcas com velas branco-sujo triangulares,
No céu do meu peito envolto em cores crepusculares,
Voam pássaros exóticos em voos livres e inesperados.

Na estrada árida das minhas mãos, uma rapariga ruiva,
Vestida com solidão, sorri aos fantasmas e aos medos,
Trago a lua ofuscante - hoje cheia - na ponta dos dedos,
E a alcateia, do bosque inóspito da alma, dança e uiva.

Vivem nas árvores dos meus braços os filhos rejeitados,
Dragões de garganta afogueada, e corajosos cavaleiros,
Os bandidos cobardes, e os mais bravos dos guerreiros,
Descansam na sombra amarga os amantes mal amados.

Na terra dos olhos dorme a mendiga do metro de Picoas,
Esvoaçam sobre o lago das lágrimas borboletas coloridas,
Mergulham os perigosos assassinos, e os tristes suicidas,
Mergulho eu, mergulhas tu, mergulham todas as pessoas.

Atravessa o rio salgado da minha boca um barco a remos,
As ruínas de Palatino estão nas curvas dos meus ombros,
Tudo o que resiste e existe em mim são só os escombros,
Só as saudades da saudade dos beijos que já não demos.

 

GNM

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